Emergência Climática e Saúde: Como as Mudanças no Meio Ambiente Afetam Nossa Saúde e Qual é o Papel da Enfermagem
As mudanças climáticas já fazem parte da nossa realidade e afetam muito mais do que o meio ambiente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), elas representam uma das maiores ameaças à saúde pública do século XXI.
O aumento da temperatura, a poluição do ar, as queimadas, as enchentes e a falta de saneamento básico aumentam o risco de diversas doenças e sobrecarregam os serviços de saúde. Por isso, cuidar do meio ambiente também significa cuidar da saúde das pessoas.
No dia 5 de junho, comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma data importante para refletirmos sobre como nossas atitudes influenciam a qualidade de vida das pessoas e como os profissionais da enfermagem têm um papel essencial na prevenção, orientação e promoção da saúde.
Como a poluição afeta o nosso organismo?
O ar que respiramos pode conter partículas muito pequenas produzidas por veículos, indústrias e queimadas. Essas partículas conseguem chegar às partes mais profundas dos pulmões e, em alguns casos, entram na corrente sanguínea.
Quando isso acontece, o organismo reage produzindo substâncias inflamatórias. Essa inflamação pode prejudicar os vasos sanguíneos, aumentar o risco de doenças cardíacas e dificultar a respiração, principalmente em pessoas que já possuem problemas respiratórios.
Além disso, respirar ar poluído durante muito tempo pode contribuir para o desenvolvimento de doenças crônicas e piorar a qualidade de vida.
Como o calor extremo prejudica a saúde?
As ondas de calor têm se tornado cada vez mais frequentes.
Para tentar manter a temperatura corporal adequada, o organismo faz um grande esforço: aumenta a circulação do sangue para a pele e produz mais suor. Esse processo pode causar perda de água e sais minerais.
Se a pessoa não se hidratar corretamente, pode apresentar sintomas como:
- sede intensa;
- tontura;
- fraqueza;
- dor de cabeça;
- pressão baixa;
- desmaios.
Nos casos mais graves, o calor excessivo pode causar insolação, desidratação grave, lesão nos rins e até colocar a vida em risco.
Quais doenças podem aumentar com as mudanças climáticas?
As alterações no clima favorecem o surgimento ou o agravamento de diversas doenças.
Doenças cardiovasculares
A poluição do ar aumenta a inflamação no organismo e pode elevar o risco de:
- infarto;
- acidente vascular cerebral (AVC);
- aumento da pressão arterial.
Pessoas com doenças cardíacas precisam de atenção especial durante períodos de calor intenso e alta poluição.
Doenças respiratórias
A fumaça das queimadas e os poluentes presentes no ar irritam as vias respiratórias.
Isso pode provocar ou piorar doenças como:
- asma;
- bronquite;
- doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC);
- alergias respiratórias.
Em dias com muita fumaça, é recomendado evitar atividades físicas ao ar livre e manter boa hidratação.
Doenças transmitidas por mosquitos e pela água
O aumento das temperaturas favorece a reprodução do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão de doenças como:
- dengue;
- zika;
- chikungunya.
Já as enchentes e problemas de saneamento aumentam o risco de doenças como:
- leptospirose;
- diarreias;
- gastroenterites.
Quem sofre mais com esses impactos?
Embora todos sejam afetados pelas mudanças climáticas, alguns grupos precisam de cuidados ainda maiores.
Idosos
Com o envelhecimento, o organismo sente menos sede e perde parte da capacidade de regular a temperatura corporal. Isso aumenta o risco de desidratação e complicações durante períodos de calor intenso.
Gestantes
A exposição prolongada à poluição pode afetar tanto a saúde da mãe quanto o desenvolvimento do bebê, aumentando o risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer.
Crianças
As crianças respiram mais rapidamente e seus pulmões ainda estão em desenvolvimento, tornando-as mais sensíveis à poluição do ar e às doenças respiratórias.
Pessoas com doenças crônicas
Quem possui hipertensão, diabetes, doenças cardíacas ou problemas respiratórios apresenta maior risco de complicações durante eventos climáticos extremos.
Como a enfermagem pode ajudar?
Os profissionais de enfermagem desempenham um papel fundamental na prevenção dessas doenças e na promoção da saúde.
Entre suas principais ações estão:
- identificar pessoas mais vulneráveis;
- orientar sobre hidratação adequada;
- incentivar hábitos saudáveis;
- ensinar formas de prevenção da dengue e outras doenças;
- orientar sobre os cuidados durante ondas de calor e períodos de queimadas;
- acompanhar pacientes com doenças crônicas;
- desenvolver ações educativas na comunidade;
- colaborar com programas de vigilância ambiental e saúde pública.
Além disso, a enfermagem também participa da gestão correta dos resíduos produzidos pelos serviços de saúde, contribuindo para reduzir os impactos ambientais.
Pequenas atitudes fazem grande diferença
Todos podem contribuir para proteger a saúde e o meio ambiente.
Algumas atitudes simples incluem:
- economizar água;
- separar corretamente o lixo;
- evitar queimadas;
- plantar árvores;
- reduzir o uso de veículos quando possível;
- eliminar recipientes com água parada;
- manter uma boa hidratação em dias quentes;
- acompanhar os alertas sobre qualidade do ar e ondas de calor.
Conclusão
As mudanças climáticas não afetam apenas a natureza: elas também impactam diretamente a saúde das pessoas.
A enfermagem tem um papel essencial na prevenção de doenças, na educação em saúde e no cuidado das populações mais vulneráveis. Ao unir conhecimento científico, ações preventivas e conscientização ambiental, os profissionais ajudam a construir comunidades mais saudáveis e preparadas para enfrentar os desafios do futuro.
Cuidar do meio ambiente é investir na saúde, na qualidade de vida e no bem-estar das gerações atuais e futuras.

